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A professora Issa Lourenço entrou, há duas semanas, em uma incômoda estatística em Ribeirão Preto: e. Ela faz parte das 683 pessoas que contraíram dengue no município entre junho e agosto, período mais frio e seco do ano, quando os casos da doença costumam cair substancialmente. “Quando fui fazer os exames, o médico, em princípio, descartava dengue justamente porque não estávamos na época”, conta.
Em 2015, as picadas do Aedes aegypt seguiram na contramão da tendência. Segundo números divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde na última terça (15), o número de casos da doença no período mais frio do ano subiu 600% em comparação ao ano passado e dobrou em relação a 2013 – 97 pessoas tiveram dengue em 2014 e outras 326 no ano anterior.
Segundo Tamara de Lima-Camara, docente do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, tal fenômeno pode ser explicado pela ausência de um inverno rigoroso em 2015. “Temperaturas similares às de primavera, como foi neste ano, junto à falta de manutenção de criadouros, pode favorecer a proliferação do mosquito. Dessa forma, temos um quadro que mantém a doença em circulação”, opinou.
Os sintomas, entretanto, não apresentam quaisquer alterações em relação às estações mais suscetíveis a epidemias, como o período que compreende a primavera e o verão no Brasil. “Comecei a me sentir mal quando estava caminhando e sentia muita dor no corpo e cansaço. Fiquei dez dias praticamente sem levantar da cama”, conta Issa. “Minhas plaquetas continuaram caindo mesmo após uma semana. Tudo doía, principalmente a cabeça”, completa.

O fato de a professora ter sido picada fora da época crítica levou os médicos ao diagnóstico apenas após o surgimento das manchas vermelhas na pele. “Apareceram muitas manchas vermelhas, mas só depois de três ou quatro dias. Foi quando eles constataram que realmente era dengue.”
Além do repouso, Issa usou medicamentos liberados e usou o tempo “de molho” para descansar o corpo. “Eu praticamente não me mexia. Tomei bastante líquido e soro para hidratar, além de tratar das dores com paracetamol ou dipirona de oito em oito horas”.
Manutenção ao longo do ano deve ser regra
Na opinião da professora do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, Tamara de Lima-Camara, uma das maneiras de se evitar a proliferação da doença em qualquer época é conservar a população informada. “É preciso manter continuidade na divulgação de informação para eliminar o máximo de criadouros”, avisa.
Para a docente, a ação não vale apenas para as épocas críticas. “É claro que temos mais casos no verão, mas isso precisa ser feito o ano inteiro. A melhor maneira de evitar ambientes com água parada é conscientizar a população por meio de práticas educativas.”
Ninguém fala a respeito
A Cidade entrou em contato com a Prefeitura de Ribeirão para saber de ações preventivas previstas para os próximos meses. Por meio da assessoria de imprensa, porém, o Executivo informou que “as pessoas que poderiam atender estão com agenda comprometida e infelizmente não poderão participar da entrevista”.
Orientada pelo próprio setor de Comunicação da Administração municipal, A Cidade entrou em contato com o diretório regional da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) para conversar sobre o assunto. A Cidade, porém, foi informado de que a diretoria local não concede entrevistas.



