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As duas escolas estaduais em Morro Agudo (SP) são as únicas da região de Ribeirão Preto (SP) entre as piores colocadas no ranking de médias nas provas objetivas no Enem 2014, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Uma delas, inclusive, a Escola Estadual Professora Neusa Okano Mizuno, é a penúltima colocada da lista paulista, com nota 444,16.
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Entre todas as escolas brasileiras, a Neusa Okano Mizuno ficou em 15.388 lugar, sendo que a pesquisa abrange 15.640 colégios públicos e privados. Ainda na região, a Escola Estadual Manoel Martins, na mesma cidade, recebeu 465,58 pontos e figura entre as 50 piores notas em São Paulo. A média da unidade na redação foi de 381,63, em uma escala de zero a mil.
Em nota, a Secretaria Estadual da Educação informou que reconhece a importância do Enem, mas alega que o exame não é “destinado a produzir relatório de qualidade dos sistemas de ensino.” A pasta justifica que as duas escolas em Morro Agudo avançaram no Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp), indicador da qualidade de ensino que considera o desempenho dos alunos nos exames do Saresp e a frequência escolar.
Para a cabeleireira Regiane Barrelin, de 30 anos, que tem uma das filhas matriculadas no colégio há três anos, o mau desempenho da instituição no Enem pode ser explicado pelo desinteresse dos alunos, que, segundo ela, não participam das atividades escolares.
“A escola é ótima, os professores são excelentes, a diretora é muito boa. O problema ali é a falta de interesse dos alunos. No horário de entrada, eles ficam do lado de fora, em uma pracinha, conversando e usando drogas. Os alunos não levam lápis, nem borracha, nem caderno, e a escola oferece tudo isso”, afirma.
Qualidade
Cerca de 1,2 milhão de estudantes do ensino médio prestaram o Enem no ano passado. Mas, pelo terceiro ano consecutivo, o governo federal não divulgou o ranking com a média geral do exame por escola.
Segundo o presidente do Inep, Chico Soares, o resultado não pode ser critério único para definir a qualidade de ensino da escola. Em coletiva em Brasília (DF), Soares disse que é infrutífero considerar a classificação de notas sem interpretar as características específicas de cada instituição.
A comparação entre as médias aritméticas das provas objetivas mostram um abismo entre as escolas privadas e públicas. No Enem 2014, só 93 escolas públicas entraram na lista de mil melhores, o que representa menos de 10% do total.
Investimento constante
Em nota, a Secretaria da Educação de São Paulo justificou que apesar do resultado do Enem, dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostram que São Paulo tem o segundo melhor ensino médio público do país.
Além disso, segundo a pasta, o Idesp da escola Manoel Martins passou de 1,85, em 2013, para 2,48, em 2014. No caso do colégio Neusa Okano Mizuno, o crescimento foi ainda maior: de 1,55 para 2,83, no mesmo período.
No mesmo comunicado, o Estado reforça que o Enem não é “destinado a produzir relatório de qualidade dos sistemas de ensino” e destaca que as escolas estaduais em Morro Agudo recebem toda a demanda do ensino médio, enquanto a única unidade da rede municipal seleciona os estudantes por meio de “vestibulinho.”
Por fim, o governo paulista informa que investe em medidas para melhorar a qualidade do ensino, como oferecer a todos os estudantes do terceiro ano do ensino médio acesso gratuito ao “Geekie +”, plataforma de preparação para o Enem.
“Em ambas as escolas de Morro Agudos, a prática de atividades na sala do Acessa Escola, programa de inclusão digital da Secretaria, estimula o acesso à plataforma, que também é bastante utilizada para que as aulas se tornem mais atrativas para jovens e adultos”, diz a nota.




