Nessa semana tenho visto por meio das mídias as felicitações dos filhos para seus respectivos pais, referenciando o dia dos pais. Muitos desses filhos que desejaram “feliz dia dos pais” já são pais e outros por sua vez pretendem ser.
Ao serem entrevistados a maioria destes foram unanimes em verbalizar algo que despertou um pouco para reflexão. Depois de parabenizar seus pais pelo dia que se aproxima, manifestaram o desejo por meio da seguinte frase “quero dar para o meu filho TUDO o que eu não tive”. Isso me fez pensar em algumas coisas.

Não posso radicalizar, afinal cada pai tem suas particularidades com seus filhos, porém é relevante pensar sobre o que é esse TUDO.
Se voltarmos os olhos para nossa infância e ver o que nos faltou, alguns poderão lembrar da própria ausência do pai, outros enfim poderão dizer que gostariam de ter estudado mais e isso atualmente acarreta algumas consequências, outros poderão mencionar sobre a infância pobre que teve. Sem bonecas, sem vídeo game, sem carrinhos eletrônicos que andavam sozinhos, em muitas situações, atém mesmo, ter vontade de comer algo e isso levar alguns dias pra realizar.
Para alguns essas palavras podem não ter muito significado, contudo muitas crianças e hoje já adultos, compartilharam de uma infância “pobre”, sem muitos recursos, com poucos e quase nenhum brinquedo.
Atualmente percebo que nossa infância até então considerada “pobre” era muito rica. Por não ter brinquedos mais caros, inventávamos as brincadeiras com o que tínhamos, e nessa época tínhamos a rua por excelência, ali todas as brincadeiras eram permitidas. E o melhor de tudo era os amigos que iam passando de casa em casa chamando os outros amigos para brincar.
Se para muitos “a liberdade não tem preço”, hoje percebo que éramos muito ricos, assim como nossa imaginação e criatividade em inventar brinquedos e brincadeiras. Se por algum descuido a nossa pipa caía tínhamos um prazer imenso em confeccionar outra, não havia cerol e nossa alegria se reduzia a ver a nossa pipa levantar mais alto que a do colega, sem precisar derrubar. Subir em árvores, brincar de pique esconde, pega – pega e tantas outras boas recordações que não cabem nestas linhas.
Fui uma criança muito rica, sem ter bonecas que andavam e falavam, sem brincar com Super Mario Bros, sandálias Melissinha era sonho de consumo e ficava só no sonho mesmo. Embora minha infância pode ter sido considerada “pobre” aos olhos de algumas pessoas, meus pais me deram “TUDO”, não tudo o que eu achava que queria, mas tudo o que eles tinham certeza que eu precisava.




