O mercado de trabalho para os profissionais da área de química vive um momento exemplar. Segundo um estudo feito pela Associação Brasileira de Química (Abiquim), até 2020 a indústria vai precisar de 200 mil a 300 mil profissionais formados neste setor, seja em nível técnico, superior ou pós-graduação, até 2020. Para se ter uma ideia da demanda, o estado de São Paulo possui 80 mil químicos com formação superior. “Eu diria para o estudantes que o mercado de trabalho em química é atraente, remunera muito bem e trata-se de uma ciência fantástica. Esta indústria vai ser a mais brilhante da década”, afirma Fernando Figueiredo, presidente executivo da Abiquim”.
A região de Campinas se destaca nessa demanda. Entre os motivos estão boas universidades e centros de pesquisa entre os melhores do País, além de rodovias em boas condições e o Aeroporto Internacional de Viracopos para o escoamento da produção. Mas, segundo o consultor em recrutamento e seleção da Page Personnel, Gaus Azeredo, a figura determinante para o aumento do número de vagas no setor químico foi a Replan, a maior refinaria de petróleo da Petrobras, instalada em Paulínia. “Muitas empresas que usam a matéria-prima proveniente da Petrobras acabam se instalando na região, o que sedimentou o mercado de trabalho”, disse Azeredo.
Somente na Page Personnel, o número de contratações cresceu 320% entre janeiro a agosto deste ano em comparação ao mesmo período em 2010. O site de carreira VAGAS.com.br também identificou um aumento no número de vagas na área química em todo o Brasil. O crescimento foi de 42% para as áreas de química e engenharia química no primeiro semestre de 2011 em relação ao mesmo período de 2010. Analisando as vagas apenas de engenharia química estes números ficam ainda maiores e chegam a 60%.
O amplo leque de atuação é um dos atrativos da profissão. O estudante formado em química pode trabalhar em indústrias dos ramos de petroquímica, plástico, borracha, tinta, de alimentação, cosmético, defensivo agrícola, têxtil, cerâmica, cimento, entre outros.
O químico Eder Ricci Torres, da Miracema Duodex, em Campinas, é um exemplo de quem conquistou ótimas oportunidades na carreira. Ele começou a vida profissional cedo, aos 18 anos, mas atualmente com 25 anos já traz bastante experiência na bagagem. No período em que fazia curso técnico em Sorocaba, fez dois estágios. Já em Campinas, onde cursa a faculdade de Química na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), ele trabalhou em duas empresas, e mesmo antes de se formar, já foi promovido.
Mas os planos para a carreira não param por ai. Eder quer continuar estudanto e fazer uma pós-graduação. Segundo ele, o investimento na qualificação é muito importante para quem trabalha na área. O chefe de Eder, Gerson Agostini, que é gerente técnico de química, trabalha há 25 anos no setor e acompanhou a evolução da atividade. “Esta é uma área em ascensão porque os clientes precisam de produtos com melhores acabamentos e por isso estamso sempre com vagas abertas, para dar conta dessa demanda”, explica Agostini.
Uma das alternativas é investir nos funcionários já durante o estágio, para absorver a mão de obra, que já está treinada. “Uma coisa é a experiência na área acadêmica, durante a faculdade, outra é a parte prática”, completa o gerente técnico de química da Miracema.
O consultor em recrutamento e seleção da Page Personnel, Gaus Azeredo, também dá uma dica para quem pretende trabalhar nessa área antes de escolher qual curso vai fazer. “O profissional precisa definir se ele quer atuar em uma área mais produtiva, mais generalista, com possibilidade de liderar grandes equipes, ou se quer partir para uma área laboratorial, mais solitária, mas ao mesmo tempo mais especialista e com uma relação acadêmica muito forte”



