
“A música em questão que entrou no festival é muito importante para nós, pois é um som que compulsemos em homenagem ao nosso ex guitarrista, Raphael Guzzardi, que faleceu em 2013, vítima de hantavírus. Ele era, além de um grande amigo e irmão para todos nós, um excelente Luthier de instrumentos, e felizmente tocamos com uma guitarra e um baixo que ele fez especialmente para nós, que até é mencionado este fato na letra da música”
Direto de Rib. Preto (SP) o Necrofobia é formada por: Rômulo Felicio, 36 (Guitarra e voz), Rodrigo Tarelho, 41 (Guitarra solo), André Faggion, 33 (Bateria), e João Manechini, 28 (Baixo) e é uma das bandas mais loucas que participarão do WebFestValda, confira:
Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder essa entrevista, e gostaria de começar perguntando: A banda toca qual gênero musical? Porque vocês optaram por esse gênero? E qual o conceito desse gênero que vocês levam? O nome da banda remete a fobia de morrer, essa fobia faz parte de algum integrante da banda ou conhecido, ou a banda têm esse nome porque toca um som mais “macabro”?
Necrofobia: O Necrofobia é uma banda de Thrash Metal. Não escolhemos o estilo musical, foi uma evolução bem natural. Quando montamos a banda nos anos 90, éramos todos garotos, e começamos a tocar músicas de rock que curtíamos, Ramones, Nirvana, Sepultura, Metalica, Iron Maiden e etc… As músicas que ficavam mais bem executadas eram os sons mais pesadas que acabou sendo uma tendência natural da banda.
O nome da banda não tem uma filosofia ou um significado pessoal. Como falamos acima, montamos a banda quando tínhamos 14 / 15 anos de idade, e nesta época estávamos na escola ainda. E em uma aula de português sobre sufixo e prefixo, juntamos “necro” com “fobia” e gostamos de como soava, meio macabro como a maioria de bandas de metal do gênero, e assim nomeamos a banda.
Victor Hugo Cavalcante: Como é estar entre 20 bandas selecionadas para o WebFestValda? O que o público pode esperar da apresentação?
Foi uma grande surpresa. Primeiro pois, sinceramente, não esperávamos que uma banda de metal pesada como o Necrofobia tivesse alguma chance de se classificar em um festival que além de ser tradicional pela oportunidade que dá a bandas, tem um fundo comercial, já que é feita e patrocinada pela empresa que produz as balas Valda.
O WebFestValda é um grande exemplo para outros festivais pois eles realmente não discriminam nenhum estilo musical. Outro motivo da surpresa, é que o FestValda é um festival que conhecemos desde os anos 90, pois sempre foi muito conceituado e sempre tivemos o anseio de um dia tocar nele, e este ano tocaremos. É muito gratificante saber que o festival deste ano teve mais que 750 bandas inscritas e apenas 20 escolhidas e o Necrofobia é uma delas.
A música em questão que entrou no festival é muito importante para nós, pois é um som que compulsemos em homenagem ao nosso ex guitarrista, Raphael Guzzardi, que faleceu em 2013, vítima de hantavírus. Ele era, além de um grande amigo e irmão para todos nós, um excelente Luthier de instrumentos, e felizmente tocamos com uma guitarra e um baixo que ele fez especialmente para nós, que até é mencionado este fato na letra da música.
Por se tratar de uma música muito densa para a gente, esperamos que nossa apresentação seja à altura desta homenagem e que a energia que este som nos domina, contagie o público presente.
Victor Hugo Cavalcante: Das suas músicas já lançadas, quais as preferidas de cada integrante, o que elas representam para vocês?
Rômulo: Acho que minha música preferida é a Black Sheep do cd Dead Soul que tem um dos riffs mais legais que tocamos. Ela representa pra mim uma transição para um trabalho musical mais maduro.
Rodrigo: Gosto muito da música Placebo, pois além de ser uma das mais agitadas do Necrofobia, me identifico muito com a letra.
André: A que eu mais gosto é a música Cemetary of Oblivion que é a música que tem uma energia inexplicável e que adoro toca-la na bateria.
João: A minha preferida também é a Black Sheep. Esta já era a música que eu mais gostava do Necro, antes mesmo de ter entrado na banda.
Victor Hugo Cavalcante: Além da banda, algum integrante participa de outro projeto musical? Se sim, o que de aprendizado/influências ele leva na bagagem da banda para o outro projeto, e vice versa? Ou elas não se misturam entre si?
Atualmente, com exceção do Rômulo, todos nós só temos o Necrofobia como projeto musical.
Rômulo: Eu sou baterista de um projeto que canta na língua Esperanto chamado Supernova. Mas é um projeto bem esporádico já que nos reunimos pouquíssimas vezes durante o ano e tocamos somente em Encontros Esperantistas.
Victor Hugo Cavalcante: Quantas músicas autorais a banda já possui? E trabalhos audiovisuais? De quais musicas, e quem produziu eles?
Temos vários registros músicas, são eles: Necrofobia (1994 – 3 músicas), Manifest (1995 – 7 músicas), Auto Destruição (1996 – 6 músicas), Fatos Consumados (1999 – 4 músicas), Dead Soul ( 2004 – 13 músicas), single Guzzardi (2014) e estamos finalizando o novo CD nosso com 14 músicas.
Lançamos dois vídeo clipes oficiais, um da música “Dead Soul” e outro da música “Guzzardi”, ambas produzidas por Rogener Pavinski.
Victor Hugo Cavalcante: O que vocês acham de projetos como o WebFestValda? O quanto projetos como esse podem ajudar no cenário da musica independente? E o que ajuda na banda, propriamente dita?
Acreditamos que o WebFestValda é um festival muito singular, pois não só dá oportunidade para várias bandas mostrarem seu trabalho como respeita as bandas e fornece todos os custos e recursos necessário para locomoção das bandas, estadia entre outras coisas, como prêmios em instrumentos. Isso é raro, e poucos festivais tem esta preocupação.
Todo projeto que levanta a bandeira de bandas independentes ajuda o cenário, incentivando as bandas a produzirem seus trabalhos autorais e divulgando as bandas classificadas em meios que talvez algumas bandas não teriam acesso a tal divulgação.
O Necrofobia, por exemplo, é a primeira vez que tocaremos fora do eixo SP/MG e com certeza teremos uma visualização em meios que dificilmente teríamos acesso, mesmo com a Internet. Você mesmo, teve conhecimento do Necrofobia através do festival, e estamos tendo esta oportunidade de dar esta entrevista, isso já é um pequeno exemplo do que o WebFestvalda está nos proporcionando.
Para o Necrofobia está sendo ótima esta experiência de mostrar seu som neste festival tão tradicional.
Victor Hugo Cavalcante: Quem compôs as musica da banda? O quanto o compositor leva de influências de sua vida para as letras das músicas? Sobre que tipos de assuntos são mais tratados nas letras das musicas de vocês?
Rômulo: Eu que componho a grande maioria das letras. No novo CD terá uma música composta pelo João e por mim. A maioria de nossas letras são críticas sociais e poucas sobre alguma experiência e sentimento pessoal. Gosto muito de falar sobre alienação, problemas ambientais e culturais, violência social entre outros temas.
Como nosso som é muito pesado e denso, sinto que é um pouco contraditório falar de amor e outras temáticas mais amenas. Geralmente escrevo a letra depois da música composta, por este motivo que os temas sempre saem mais críticos, pois o som passa um sentimento contestador e de indignação com a sociedade em que vivemos.
Victor Hugo Cavalcante: Quais bandas/cantores vocês pegaram carona, e se influenciaram?
Temos influência de Sepultura, Slayer, Pantera, Machine Head, Testament, Exodus e Biohazard.
Filmado no Teatro de Arena em Ribeirão Preto/SP
Direção: Rogener Pavinski
Agradecimentos:
Bruna Corrêa, Neto Corrêa,
João Pedro Zuccolotto e Rafaela Rijo.
Gravação, Mixagem e Masterização: Romulo Felicio
Solo de guitarra: Alexandre Boetto
Fonte: http://internetcomunicacaofolk.blogspot.com.br




