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A partir desta quinta-feira (25), Franca (SP) passou a ter uma das tarifas de transporte público mais caras do interior do Estado de São Paulo. O reajuste de quase 13% elevou o preço da passagem de R$ 3,10 para R$ 3,50, e gerou reclamações dos usuários da cidade, que tem pouco mais de 339 mil habitantes.
O preço é equivalente ao praticado na capital paulista e maior até que o cobrado no Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador, por exemplo. Nessas três capitais, as passagens de ônibus urbano custam R$ 3,40, R$ 3,30 e R$ 3, respectivamente.

Em Ribeirão Preto (SP), município com quase o dobro de habitantes de Franca, o valor também é menor: R$ 3. Apenas em Bauru (SP) o preço da passagem é o mesmo que o francano, mas somente quando o passageiro não possui o cartão da empresa. Usuários com cartão-transporte pagam R$ 3,20.
Em nota, a assessoria de imprensa da administração informou ainda que o reajuste na tarifa do transporte coletivo foi realizado de maneira “transparente” e se baseou em estudo externo de junho de 2014, que previa uma alta maior.
“O levantamento técnico já apontara para um custo da passagem em R$ 3,72 – valor, portanto, sem a correção pela inflação até os dias atuais, que tem registrado considerável crescimento, com reajustes nas tarifas de energia elétrica, água, combustíveis e outros itens fundamentais. Assim, se aplicado o índice inflacionário, o valor apresentado pelo estudo FIPE já seria maior”, afirmou a Prefeitura.
A administração informou no entanto que, apesar de ter levado em consideração os critérios, entendeu que não seria possível aplicar o reajuste “em virtude da situação econômica atual do País”.
Segundo reajuste
Esse é o segundo reajuste na tarifa do ônibus em Franca em pouco menos de um ano, o que provocou reclamação de alguns usuários do transporte público nesta quinta-feira, primeiro dia com as passagens a R$ 3,50. “Aumentou esses dias e agora aumentou novamente. Era muito recente o outro aumento. Assim não tem como. Está errado isso aí! Vai pesar no bolso”, comentou a doméstica Luceni Rodrigues dos Santos.
A sapateira Bianca Aparecida Fonseca reclamou da falta de concorrência com a empresa São José, única responsável pelo transporte público na cidade. “Nós, pobres, pagarmos R$ 3,50 é um absurdo. O prefeito tinha que trazer uma concorrência ou abaixar porque nós não vamos aguentar”, reclamou.
A São José disponibiliza 112 ônibus para atender exclusivamente a cidade de Franca e eles são divididos entre 42 linhas. No total, aproximadamente 70 mil pessoas dependem do transporte público na cidade.
A qualidade dos ônibus e a superlotação das linhas também dão alvo de críticas dos passageiros em Franca. “Vocês não têm noção do que é andar nesses ônibus velhos. As portas são muito estreitas. Tenho problemas no joelho e tenho dificuldades, para entrar e descer é um sacrifício. Já que vai aumentar a passagem tem que dar mais conforto pra gente”, disse a doméstica Eliane Aparecida.
“Quando chega no horário da tarde todo mundo vai em pé. É um ‘esfrega, esfrega’ em cima de todo mundo”, completou a faxineira Silvana Ferreira.

Portas estreitas dos ônibus da São José também foram criticadas pelos usuários (Foto: Antonio Luiz/EPTV)
Contrato Irregular
O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE) julgou irregulares o processo licitatório e o temo de concessão assinado, há cinco anos, entre a Prefeitura de Franca (SP) e a empresa São José, responsável pelo transporte coletivo no município.
Segundo a decisão, a licitação de 2009 teve concorrência limitada pelo valor do capital social exigido para que as empresas pudessem participar. O ex-prefeito Sidnei Franco da Rocha (PSDB), que exercia o mandato na época, foi considerado responsável pela irregularidade, cabendo a ele multa de R$ 21.250.
Questionada, a empresa informou que não se manifestará sobre o assunto. O ex-prefeito não foi encontrado para comentar o caso.





