
A Câmara de Barrinha (SP) instaurou uma comissão processante contra o prefeito Mituo Takahashi, denunciado por supostamente ter pagado R$ 1,3 mil a cada eleitor que tumultuasse as sessões do Legislativo. Sete dos onze vereadores fazem oposição ao prefeito e isso estaria dificultando a aprovação de projetos apresentados pelo Executivo, segundo as alegações.
Outras duas comissões processantes também foram instauradas, ainda durante a sessão de segunda-feira (13), para investigar outras denúncias contra o prefeito: a de que ele permitiu que secretários e servidores contratassem parentes – nepotismo – e a de que autorizou guardas civis municipais de utilizarem armas de fogo em 2013.
Em entrevista à EPTV, Takahashi negou as acusações e alegou ser alvo de perseguição política. Ele afirmou que os parlamentares o querem fora do governo porque não recebem benefícios da Prefeitura. A mesma motivação, segundo ele, partiu das denúncias em relação aos supostos pagamentos para gerar tumultos na sessão. O prefeito ainda ressaltou que está à disposição da Justiça para esclarecer o que for necessário.
“Todos eles tinham benefício, por isso estão querendo me tirar daqui, porque eu não dou nada para ninguém. Quem quer receber dinheiro aqui tem que trabalhar. Não é como antigamente, que ficava um monte de vagabundo na porta da prefeitura recebendo sem trabalhar”, disse.
Em 2014, o prefeito foi expulso do Partido dos Trabalhadores (PT) por apoiar candidatos do PSDB. O chefe do Executivo também se envolveu em uma polêmica em 2013, ao pintar os prédios públicos de Barrinha de vermelho, cor do então partido a que pertencia.
Denúncias
O montador Hélio Geloni alega que ele, dois irmãos e outras pessoas recebiam em torno de R$ 1,3 mil por mês do prefeito Takahashi para tumultuar as sessões da Câmara de Barrinha. “O prefeito pedia para irmos à prefeitura antes de vir aqui [na Câmara] e passava as coordenadas, o que era para ser feito. Nós só chegávamos e fazíamos o que o prefeito pediu”, disse.
Geloni disse que uma bomba já foi detonada no plenário e ovos atirados durante as sessões, mas negou participação nesses episódios e se diz arrependido. Ele alegou que somente aceitou os repasses porque estava com dificuldades financeiras. “Tenho gravação, tenho provas e não estou escondendo a cara. Estou aqui para todo mundo ver e estou à disposição da cidade, dos vereadores e da Justiça.”
Comissão processante
O presidente da Câmara de Barrinha, Sant’clair Antonio Marinho Filho, considerou a denúncia grave e disse que todas as declarações de Hélio Geloni serão investigadas pela comissão processante. “Onde há uma casa lotada de cidadãos que vêm para assistir às sessões, a pessoa solta uma bomba? Isso para mim é terrorismo. E segundo o que ele fala, foi o prefeito quem mandou e pagou para fazer isso”, afirmou.
<< Hélio Geloni diz que recebia R$ 1,3 mil por mês para tumultuar sessões na Câmara de Barrinha (Foto: Reprodução/EPTV)
Marinho Filho ainda confirma que mais duas comissões foram formadas para esclarecer outros dois casos envolvendo o prefeito. Uma delas servirá para investigar se Takahashi sabia que um dos agentes de segurança do município trabalhava armado em setembro de 2013, quando o jovem Thiago Antônio da Silva foi morto. A posse de arma neste caso, segundo o vereador, não seria permitida. “Segundo a Constituição Federal, guarda civil para andar armada o município tem que ter acima de 50 mil habitantes”, disse.
Por último, o Legislativo pretende investigar uma denúncia sobre a existência de nepotismo na administração municipal. Marinho Filho informou que Takahashi é suspeito de contratar parentes de secretários e diretores da administração municipal para cargos de confiança.
As comissões têm cinco dias para notificar o prefeito, que terá dez dias para apresentar a sua defesa, explicou Marinho Filho. Depois disso, serão elaborados pareceres indicando se as denúncias devem ou não ser acatadas.
Caso os parlamentares votem pelo prosseguimento das investigações, as comissões ficarão responsáveis por fazer as instruções dos procedimentos e por ouvir as testemunhas de defesa e de acusação para produzir um novo relatório, segundo o chefe do Legislativo. Somente a partir dos relatórios finais poderão ser abertas votações para a cassação de Takahashi.
<< Prefeito Mituo Takahashi diz que investigações têm motivação política (Foto: Reprodução/EPTV)
Prefeito nega
O prefeito Mituo Takahashi disse que todas as denúncias têm motivação política. Ele negou ter parentes atuando na Prefeitura, bem como qualquer vigilante trabalhando armado e qualquer pagamento para causar problemas no expediente da Câmara. Alegou ainda que as denúncias foram feitas apenas na tentativa de tirá-lo do cargo.
“Eles podem abrir a comissão que quiserem, não quero nem saber de vereador, não quero saber de nada. A Justiça está aí para ser feita. Nenhuma [denúncia] procede, isso é plenamente política.”
Segundo ele, os sete vereadores de oposição estão querendo prejudicá-lo porque “tinham benefícios na gestão passada”. A mesma justificativa é citada em relação ao denunciante que revelou a contratação dos tumultos.
Do G1 Ribeirão e Franca




