A auxiliar de enfermagem Aparecida Dione Ramos acorda cedo todos os dias para deixar a cidade que mora, Serrana (SP), e viajar de ônibus até Ribeirão Preto (SP), onde trabalha no Hospital das Clínicas. A rotina dela reflete um comportamento que o IBGE acaba de explicar em números.
Ela é um dos 45,8 mil habitantes de sete municípios da região que trabalham ou estudam em uma localidade diferente da que moram, segundo o estudo divulgado esta semana sobre concentrações urbanas e arranjos populacionais. “Todo dia na estrada. Cansa bastante, mas a gente tem que fazer isso para pagar as contas. Tem que trabalhar”, diz a auxiliar de enfermagem.
Para o economista Alexandre Nicolella, esse trânsito é possibilitado tanto pelas condições oferecidas pela malha viária quanto pela necessidade de se buscar oportunidades em outros lugares, sobretudo em Ribeirão, maior cidade da região.
45,8 mil viajantes
Com base em dados do Censo de 2010, o IBGE constatou que 45.808 pessoas transitam dentro de um arranjo composto por sete cidades. Número que representa 6% da população total de quase 750 mil habitantes – além de Ribeirão, estão no levantamento Brodowski (SP), Cravinhos (SP), Jardinópolis (SP), Santa Cruz da Esperança (SP), Serra Azul (SP) e Serrana (SP).
Quase a metade dos que se deslocam, 21.743, é de moradores de Ribeirão Preto que precisam ir para os outros municípios. Na sequência aparecem Serrana – com um deslocamento médio de 7.672 –, Cravinhos – 5.684 -, Jardinópolis – 5.336 -, Serra Azul – 2.065 – e Santa Cruz da Esperança – 284.
< A auxiliar de enfermagem Aparecida vai todos os dias para Ribeirão (Foto: Valdinei Malaguti/EPTV)Segundo o economista Alexandre Nicolella, os números mostram uma tendência de integração crescente entre as cidades, assim como um comportamento comum de buscar oportunidades de trabalho e de especialização em centros maiores, como Ribeirão Preto sem abrir mão da tranquilidade de localidades menores.
“Ribeirão ainda é um polo para os municípios que fazem parte de nosso arranjo populacional. Então boa parte das pessoas que vivem nesse entorno acaba vindo para trabalhar ou estudar”, diz.
Nascido e criado em Ribeirão Preto, o motorista Giovane Jamil Ferreira fez o caminho inverso há cerca de 20 anos, quando decidiu se mudar para Serrana em busca de um lugar mais tranquilo para constituir sua família. Mas, hoje, é através da necessidade de as pessoas se locomoverem diariamente para sua terra natal que ele garante o seu trabalho em uma cooperativa de transporte.
“Serrana é uma cidade-dormitório, 30% das pessoas que moram na nossa cidade usam o nosso transporte. Elas se esforçam muito para ir para Ribeirão, porque Serrana não tem quantidade de empregos para toda a população”, afirma.
Do G1 Ribeirão e Franca




