Todo mundo concorda que existe uma crise na teledramaturgia. As novelas, com seu formato engessado, já não alcançam a mesma audiência de antes. O perfil do público mudou, os seus interesses são outros e as opções na televisão são cada vez maiores.
O “remake” da novela “Ti-Ti-Ti”, encerrada nesta sexta-feira, depois de oito meses no ar, ensina algumas coisas neste cenário de crise. Primeiro, e mais importante, que é preciso coragem e criatividade ao olhar para trás.
Mais que um “remake”, a nova “Ti-Ti-Ti’ foi um “mashup”, termo que o pessoal de internet usa para designar um produto criado como resultado da soma de múltiplas fontes.
Sem cerimônia, a autora mudou várias características dos personagens das tramas originais, criou outros tipos e deu destinos diferentes a vários deles. Corajosa, tratou de forma madura de um tema polêmico –os relacionamentos amorosos de um personagem gay– e não teve medo, igualmente, de radicalizar o escracho em torno do núcleo de Jacques Leclair (Alexandre Borges) e Jaqueline (Claudia Raia).
Com a ajuda do diretor Jorge Fernando, não acomodado no papel de mestre das comédias da Globo, “Ti-Ti-Ti” foi entretenimento de ótima qualidade, com os altos e baixos, naturalmente, que uma produção desta natureza sempre tem.
O seu sucesso já anima a Globo a encomendar novos “remakes”. Falava-se em “Guerra dos Sexos” (1983), um grande sucesso de Silvio de Abreu, mas parece que o projeto foi engavetado. Diz-se agora que a intenção da emissora é refazer “Cambalacho” (1986), do mesmo autor, em 2012.
Tudo bem. Mas, o “mashup” de “Ti-Ti-Ti” estabeleceu um novo padrão. Não basta apenas refazer uma novela do passado, é preciso criatividade e ousadia para deixar uma velha novela com cara de nova.
Em tempo: a novela acabou em alto astral, com participação especial de Rita Lee cantando a música-tema. Um final em tudo coerente com o que foi exibido nos últimos oito meses.
MAURICIO STYCER
Crítico do UOL



