O delegado titular do 4º Distrito Policial, Paulo Tucci, disse nesta quarta-feira que o camelô Valmir Ventino da Silva, 19 anos, confessou formalmente ser um dos autores do crime contra os dois estudantes da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no fim de fevereiro. De acordo com o delegado, na presença de duas testemunhas, Valmir afirmou ter atirado contra os jovens porque teria sido injuriado por eles. “Acabamos de ouvi-lo e ele nos disse que matou porque os jovens teriam dirigido olhares e feito gestos obscenos para sua namorada Jaqueline”, disse Tucci. “Ele tirou satisfação e os jovens o teriam chamado de nordestino, farofeiro e cabeça chata.”
As pessoas que estavam no bar próximo à FGV, onde ocorreu o crime, negaram ter acontecido qualquer desavença entre Valmir e os jovens atingidos pelos disparos, Júlio César Grimm Bakri, de 22 anos, que morreu, e Christopher Akiocha Tominaga, 23 anos, que está nos hospital e deve ter alta ainda nesta semana. Tominaga também foi ouvido pela polícia e não confirmou ter discutido nem visto Valmir antes do crime. A namorada de Valmir, Jéssica, disse ao delegado que não se sentiu insultada pelos jovens.
Valmir foi preso no sábado, em Cascavel (PR) e transferido no domingo para São Paulo. Quando chegou não quis ser ouvido formalmente, reservando-se o direito de falar em juízo. Nesta quarta-feira teria mudado de ideia e resolvido confessar, mesmo sem a presença de seu advogado, Getúlio Serpa. Até terça-feira, Serpa negava que seus clientes, Valmir e seu irmão Francisco, também preso pelo crime, fossem os autores dos disparos. Nesta quarta-feira Serpa não foi encontrado.
No depoimento desta quarta-feira, além de confessar o crime, Valmir, que foi indiciado por homicídio, disse que jogou as duas armas, que ele e o irmão utilizavam, no Rio Tamanduateí. De acordo com o delegado, o preso se dispôs a apontar o local exato para que os bombeiros façam uma busca. Tucci disse que o caso está esclarecido e vai pedir à Justiça a prisão preventiva dos irmãos. Por enquanto, eles cumprem 30 dias de prisão temporária.
Fonte: Diário de São Paulo



