Demorou, mas os BBBs finalmente entenderam uma condição indispensável para que o reality-show se torne interessante: trata-se de um jogo, e quem não joga, ou joga mal, é eliminado. Cada um a seu tempo, os confinados no Projac aproveitam e criam oportunidades para exercer algum papel na casa e, assim, dar uma razão ao público para amá-los ou odiá-los. Foi muito provavelmente esse, por exemplo, o movimento do modelo Rodrigão – que já foi o Bananão e, desde que deu “um toco” na novata Adriana, passou a existir de fato no programa.
Se estiver correta a tese de que Rodrigo apenas “estava Banana”, em vez de ser permanentemente a figura passiva e insossa diante das câmeras, o beijo e o “tô fora” vinham sendo planejados com alguma antecedência.
A chegada da Miss Campos dos Goytacazes foi a oportunidade para Rodrigo. Assim que a loura e seu par de implantes de silicone apontaram no gramado do jardim do cativeiro mais disputado do Brasil, ele mudou de postura. A insistência durou até o momento em que Adriana cedeu ao assédio e se atracou com ele. Alguns amassos e, em seguida, Rodrigão já não queria mais nada com a moça. E agora? O público certamente quer mais, mas para isso vai ter que manter Rodrigão no jogo e na casa. E as câmeras, a qualquer aproximação da campista, serão dele.
Rodrigão matou um romance mas criou uma ótima história. E ser protagonista é a única maneira de permanecer vivo no reality.
Pelo lado de Adriana, a situação parece ser a inversa: enfraquecida diante do público e da casa, ela é vítima. Mas não o bastante para despertar algum impulso de solidariedade ou levantar uma “bandeira contra os homens”. A miss entrou deixando claro que era comprometida e fiel. Em pouco mais de uma semana, mostrou ao Brasil inteiro que não é fiel e, no jogo, também não é confiável. Sobrou para ela o ridículo dentro e fora da casa – pois, cedo ou tarde, a moça terá que acertar contas com quem ficou do lado de fora do BBB.
Quem entendeu mais rápido o tipo de protagonista que o BBB procura é o coreógrafo Diogo. Desde que pisou no programa o baiano não parou de falar. E as frases têm sempre endereço. Ele grita, xinga, causa confusão e intriga. Pode não ser uma forma de concorrer ao Nobel da Paz, mas tem dado certo. O “brother” já foi emparedado mas escapou por pouco e, ao que tudo indica, Boninho não deixará que o incendiário desta edição seja eliminado tão cedo.
Como ser bom é sempre mais difícil, Diogo parece ter optado por garantir logo a cadeira da “mala sem alça”, “encrenqueiro” e criador de fatos para boas edições de vídeo. Assim como ele, Mauricio, que recebeu dos céus da Globo o direito de voltar à casa, depois de eliminado, percebeu que nenhum dos três “bês” da sigla do programa têm a ver com bondade. Depois de chegar com uma conversa amistosa, tentando agradar a todos, o carioca amargou uma temporada fora do jogo.
Ao voltar, depois de um período o purgatório da casa de vidro, o músico ressurgiu magoado e até mesmo vingativo. Jurou derrubar um por um que julgava responsável por sua eliminação e ainda de quebra decidiu tripudiar da ex-namoradinha Maria.
Maria, por sua vez, teve esta semana uma ajudinha da família. A moça, que trabalhou exibindo-se nua em sites eróticos, em frente a uma webcam, foi chamada de “garota de programa” pela transexual Ariadna. Ora, ser qualquer coisa, no BBB, é melhor que ser nada – pelo menos para efeitos de audiência. Não bastasse a frase de Ariadna na casa de vidro, a família de Maria ameaça processar a transexual, alimentando, assim, uma rivalidade que serve de pretexto para mantê-la diante das câmeras.
Esse tipo de “ponto de virada” nas personalidades, dentro de um reality-show com as características do BBB, são bastante comuns – e benéficos para a graça do jogo. Quem não se lembra de Kleber Bambam, ganhador da primeira edição, e de suas verdadeiras aulas de encenação? O dançarino era fofoqueiro, intrigueiro, mentiroso e acabou faturando o prêmio por conta da antológica crise nervosa que teve ao perceber que tinha perdido seu grande amor, a boneca de lata Maria Eugênia. A cena ficou imortalizada na história do Big Brother Brasil, e garantiu ao fortão o prêmio de 500 mil reais.
Outro que descobriu a fórmula do sucesso e faturou a vitória foi Diego Alemão. O paulista tinha tudo para ser o o vilão do programa. Mas, como entendeu rápido que tinha que virar o jogo para não acabar fuzilado, criou sua história, declarando-se apaixonado pela ‘sister’ Íris Stefanelli.
Para sorte dos ‘apagados’ no jogo, a direção também entende que dar uma mãozinha para o destino não é nenhum crime em um reality-show, e as próximas brincadeiras e provas têm tudo para fazer surgir novas histórias – assim como foi possível segurar em cena alguns eliminados que, na avaliação da emissora, ainda tinham algum sangue para dar ao programa.
Fonte: Veja.com



