O que se descobriu
Isabel Mist*
Neste momento, Heloísa, que entrara na cozinha, disse que ainda estava preocupada com Lisandro. Dédalo explicou que já contara a ele parte da história de Dragão, e que ele não corria perigo. E que não podia revelar todo o plano por questão de segurança. Mesmo assim, Heloísa queria ligar para Lisandro.
“Olá, Lisandro, como está? Você vai me contar o que aconteceu depois da última vez que conversamos?”
“Bem, depois de contar a você sobre a reunião que presenciei, como Dédalo me pedira, resolvi ficar em casa, para não arranjar mais problemas. Ah, e não consegui falar com a Lina.
Mais ou menos às três da tarde, alguém tocou a campainha. Era Dédalo. Ele pediu para entrar, dizendo que tinha um plano, e que precisava revelar-me alguns fatos. Contou-me que Lina e você são sobrinhas dele e que precisaria que o ajudassem – por isso era importante que eu lhe falasse do que vi pela manhã. Então disse que a tal reunião fora uma encenação preparada por Dragão – que, na verdade, é Pedro Minos, diretor da biblioteca da Cidade Colorida. Ele sabia que estávamos investigando assuntos que conduziriam a ele, e precisava impedir que continuássemos.
Bruno, Marcelo e Plínio realmente estão envolvidos com Minos e suas atividades aqui na Cidade Cinza, mas os assuntos tratados na reunião eram falsos, assim como a informação de que eu seria o próximo ‘escolhido’. O objetivo era que ficássemos muito assustados e parássemos de fazer perguntas.
Depois disso, parei as pesquisas, porque acho que não são mais necessárias… acho que Dédalo já sabe o que fazer…
Mas estou curioso para saber o que a Lina e você andaram fazendo…”
Heloísa resumiu o dia anterior. Desligou o telefone. Agora estava mais curiosa para saber qual era a história toda. Só conhecia fragmentos: fatos que ela reuniu a partir de relatos de pessoas na Cidade Cinza antes que Dédalo se envolvesse na investigação, fatos que Lisandro, como ela, recolhera na Cidade Cinza, as conversas que ouvira na biblioteca entre Lina e Minos e entre Dédalo e Minos, e ainda não sabia ao certo o que Lina e Dédalo haviam lido naqueles documentos escondidos na área reservada a funcionários da biblioteca.
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Minos limitou-se a reforçar a segurança das entradas principais da biblioteca, como previra Dédalo, que não teve dificuldade em alcançar a sala preta e branca com Lina e Heloísa, à tarde.
A tarde estava quente. Dédalo (que portava uma mala), Heloísa e Lina contornaram a biblioteca e se esconderam nos fundos. Procuravam uma porta camuflada. Dédalo estava passando os dedos na parede e sentiu uma fresta – era onde estava a fechadura, de cuja chave ele tinha cópia. Abriu a porta e seguiram por um corredor que levava a uma escada. Precisaram de lanternas, pois, não havia luminosidade ao longo da escada.
A escada conduzia a um alçapão pelo qual passaram, e se viram na sala preta e branca. Lina pensou que usariam a mesma porta que por onde ela entrara na primeira vez que estivera ali, mas Dédalo abriu outra – impossível de ser localizada por quem não soubesse que ela existia. Passaram por mais um corredor e levava a outra escada, muito estreita, que descia até a sala onde Minos escondera os documentos que Lina vira no dia anterior e também aqueles que comprovavam o desvio de verbas públicas.
Dédalo agiu rápido: com a ajuda de Lina e Heloísa, reuniu todos os papeis na mala e saíram rapidamente.
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Lina e Heloísa foram para suas casas e Dédalo levou os papeis à polícia, que investigava Minos havia dois anos. Sua participação naquela história estava terminando. Em seu depoimento, relatou em detalhes tudo o que sabia – e que revelaria às sobrinhas e a Lisandro.
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Heloísa ligou para Lisandro contando os últimos acontecimentos, e o convidou para passar o fim de semana em sua casa, e que Dédalo queria conversar com eles (e Lina). Lisandro aceitou o convite e desembarcou na Cidade Colorida no sábado.
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* Isabel Mist, sonhando….




