Uma planta industrial que transforma o lixo doméstico em gás que gera energia elétrica. Esta foi a pauta de um encontro entre os prefeitos, Sérgio de Mello (Guaíra), José Francisco Ávila (Ipuã) e Juliano Mendonça Jorge (Miguelópolis) ocorrido na Prefeitura de Guaíra na quinta-feita, dia 5. O engenheiro Fernando Melo apresentou o projeto para os prefeitos e secretários de governos no gabinete do prefeito guairense, Sérgio de Mello.
Semelhante a um empreendimento que deve ser instalado na cidade mineira de Boa Esperança, inicialmente a usina de processamento de lixo domiciliar atenderia as três cidades que formariam um consórcio.
Guaíra seria o centro de operações, recebendo o investimento com a construção da usina e, para tanto, cederia o terreno. Depois de instalada a usina, todas as cidades pagariam uma taxa pelo processamento do detrito. Guaíra teria vantagem de não gastar com transporte e como as demais participantes do consórcio receberia créditos ambientais que poderiam ser abatidos na conta de energia elétrica nos prédios públicos.
Além do benefício ambiental, a transformação do detrito em gás custaria mais barato para o município. Atualmente a Prefeitura gasta com a construção e operação das valas controladas que seguem rigorosas normas auditadas pela Cetesb – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental.
Sistemas de tratamento semelhantes, porém menos eficientes já são usados nos Estados Unidos, União Européia e Japão. O tratamento apresentado em Guaíra é objeto de tese de doutorado do engenheiro, Sérgio Augusto Lucke na FEC- Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp.
O lixo doméstico é recolhido e na unidade o material é triturado, passa por processos e de separação com uso de imãs para recolha de metais e outras ações mecânicas que reaproveitam os materiais recicláveis. O detrito é novamente triturado e cozido em altas temperaturas. O resultado é a produção do gás de síntese que é o combustível para a geração de energia elétrica. Ao final o que resta é um resíduo sólido que pode ser utilizado na recuperação de solos. Assim ao invés contaminar e inutilizar terrenos, como no modelo atual de depósito, o novo sistema produz energia e ajuda a recuperar áreas degradadas.
Num momento em que a economia de água é a palavra de ordem. A usina de processamento de lixo se mostra novamente um aliado da natureza por usar quase nada de água, aproveitando em seu funcionamento o líquido gerado pelo lixo.
A ideia foi apresentada em Guaíra como uma PPP – Parceria Público Privada – em que os três municípios: Guaíra, Miguelópolis e Ipuã garantiriam o suprimento de material e pagamento das taxas de processamento e a iniciativa privada entraria o investimento financeiro da construção do complexo.
Um projeto que empolgou os prefeitos, uma vez que Guaíra e Ipuã gastam muito na construção e manutenção de suas valas controladas e Miguelópolis paga frete e altas taxas de depósito em um aterro particular em Sales Oliveira. Sem contar a desoneração ambiental. Isso porque mesmo seguindo todas as regras da Cetesb os aterros santiários tem vida útil curta e depois de finalizados restringem o uso de vastas extensões de solos. Um desperdício em área de solos de uso intensivo para a agricultura.
Acompanharam a reunião o chefe de Gabinete de Guaíra, Wellington Luiz de Campos, o chefe de Meio Ambiente, Alaor Borges Pinheiro Neto, o diretor de Tributação, Carlos Vilela, o diretor de Obras, José Emygdio de Oliveira Neto, o secretário de Engenharia, Said Abou Hammine Filho, o vice-prefeito, Denir Ferreira dos Santos e o chefe de Gabinete de Ipuã, José Angelo Bolsoni.
Fonte: Prefeitura de Guaíra



