
Quando uma banda resolve revisitar seu próprio repertório, nem sempre o resultado é satisfatório, vide o caso do Helloween com “Unarmed” ou o Manowar com “Battle Hymns MMXI”. Mas é óbvio que o artista tem todo o direito de fazê-lo. Seja porque não gostava do resultado original ou porque precisa levantar uma graninha extra. Seja qual for o motivo, é isso que o excepcional guitarrista alemão Uli Jon Roth faz em “Scorpions Revisited Volume 1”.
Como o nome indica, este disco traz canções originalmente lançadas pelo Scorpions na fase em que Roth fazia parte da banda, entre 1973 e 1978. Neste período o grupo lançou quatro discos de estúdio: “Fly to the Rainbow” (1974), “In Trance” (1975), “Virgin Killer” (1976) e “Taken by Force” (1977). Além do ao vivo “Tokyo Tapes” (1978).
Em “Scorpions Revisited” Roth traz à tona canções excelentes que, infelizmente, o próprio Scorpions deixou para trás e não apresenta mais em seus shows. A única exceção é “In Trance”, que o grupo continua executando ao vivo.
Para este disco Roth contou com os músicos Jamie Little na bateria, Ule Ritgen no baixo, Niklas Turmann e David Klosinski nas guitarras e Corvin Bahn no teclado, além do vocalista Nathan James. O instrumental de todas as canções segue impecável, mas se tem alguém que se destaca é o baixista Ule Ritgen, que deixa seu instrumento marcante em todas as faixas. O que, aliás, também estava presente nas versões originais, como na ótima “Pictured Life”.
Aliás, é nesta música que percebemos o que realmente faz a diferença entre as versões de “Scorpions Revisited” e as gravações originais: Nathan James. O vocalista pouco conhecido no Brasil é um dos cantores do Trans-Siberian Orchestra e também é o vocalista do Inglorious. Obviamente, ele é um bom vocalista, mas sua interpretação desses clássicos deixa um pouco a desejar. Esbanja técnica, mas ao mesmo tempo faz falta a emoção de Klaus Meine. Talvez seja apenas a impressão de um fã de Scorpions. Ouça e diga o que você acha.
Uma das minhas faixas preferidas dessa época, “The Sails of Charon”, do “Taken by Force”, abre o disco. A diferença principal em relação à original são as vocalizações com alguma influência do Oriente Médio no meio da faixa.
“Longing for Fire”, do “In Trance”, uma música pouco conhecida dos que não são fãs de Scorpions, dá sequência ao repertório. Já nessa música Nathan James parece estar bem mais confortável. Mais uma vez percebemos como Roth foi certeiro ao chamar Ule Ritgen para o trabalho que foi gravado originalmente por Francis Buchholz.
Aliás, uma coisa bacana deste disco é que pelo fato de ser um repertório longo – são 19 faixas – Roth não incluiu apenas aquelas mais conhecidas. Até deixou algumas de fora, como as ótimas “Robot Man” e “He’s a Woman – She’s a Man”. Claro que o guitarrista deu preferência às suas próprias composições, mas não é o caso de todas presentes no CD.
Algumas faixas são realmente presentes para os fãs que conhecem a fundo o repertório do Scorpions, como “All Night Long”, lançada apenas no disco ao vivo “Tokyo Tapes”. Outra surpresa das boas é a balada “Yellow Raven”.
Outros bons momentos de “Scorpions Revisited” são “In Trance”, “Evening Wind”, “We’ll Burn the Sky”, “Pictured Life” e, obviamente, a excelente “Fly to the Rainbow”, que encerra de forma épica esse belo disco.
No saldo final, a iniciativa de Uli Jon Roth de dar uma nova vida para estas músicas foi muito positiva. Principalmente, como eu disse antes, pelo fato de o Scorpions deixá-las todas esquecidas no baú do passado.
Só espero que o velho hippie de longos cabelos e bigodes brancos volte ao Brasil com essa turnê. Os verdadeiros fãs de Scorpions merecem.
Scorpions Revisited:
CD1
01. The Sails of Charon
02. Longing for Fire
03. Crying Days
04. Virgin Killer
05. In Trance
06. Sun in My Hand
07. Yellow Raven
08. Polar Nights
09. Dark Lady
CD2
01. Catch Your Train
02. Evening Wind
03. All Night Long
04. We’ll Burn the Sky
05. Pictured Life
06. Hell Cat
07. Life’s Like a River
08. Drifting Sun
09. Rainbow Dream Prelude
10. Fly to the Rainbow



