Leandro Joaquim faz parte do seleto grupo de talentos de Ribeirão Preto que ganhou o País. Músico há 20 anos, com formação clássica e jazzística, ele fez parte de várias bandas de sucesso da noite local, mas decidiu mudar-se para o Rio de Janeiro, onde vive há quase uma década. Lá, acompanhou artistas, como Elba Ramalho, Marcos Valle, Cidade Negra, João Donato, Hyldon, Gilberto Gil, Lucas Santana e hoje é trompetista e diretor musical de Jards Macalé.
Acha pouco? Pois o músico, que se apresenta hoje no Sesc local, também integra as bandas Paraphernalia, Abayomy Afrobeat Orquestra e Monte Alegre Hot Jazz Band. Leandro volta a sua terra natal para lançar seu primeiro disco solo, “Sobre as Cores e o nosso Tempo”, gravado no Rio de Janeiro no ano passado.
Com produção musical de Ricardo Dias Gomes, o trabalho conta com a participação da banda Ce [que acompanha Caetano Veloso], de Bnegao e do grupo Sobrado 112, da qual ele já fez parte.
“A partir do momento que o Dias Gomes entrou na parada, e ao sacarmos que a onda seria rock’n’roll, automaticamente convidamos os caras da Ce. Os caras do Sobrado são meus irmãos e BNegão sempre fortalece. Somos vizinhos aqui em Santa Teresa”, diz.
O trompetista conta que começou a fazer as pré-produções de suas composições em seu iPhone. Gostou tanto que, após duas semanas, já tinha 14 músicas prontas.
Em seguida, começou a mostrar as canções para amigos e colegas de profissão. Até que, num camarim, ao conversar com Ricardo Dias, baterista da banda Brasov, descobriu o produtor ideal do disco.
“O apoio incondicional e os empurrões da minha mulher também foram essenciais. Aí começamos o processo de triagem das músicas, a escolha dos amigos que tocariam e onde gravar”, lembra.
Para o músico, mais do que um desafio, gravar um disco solo é um alívio. “Cada ‘joinha’ que recebo nas redes sociais sobre meu trabalho solo só me faz pensar em mais e mais e seguir adiante sempre. É apenas o início da minha história”, diz.
O título, que dá nome também a uma das canções do álbum, traduz bem o espírito do disco, segundo Leandro. “O título ganhou força quando me deparei com a diversidade de ritmos e influências que sintetizei no disco: diferentes entre si, mas que, juntas, compõem exatamente minha ideia inicial de usar e abusar dessas mesmas referências e me deixar livre pra colorir”, filosofa.
Músico trabalha com Jards Macalé
Leandro Joaquim é trompetista e diretor musical do músico e compositor Jards Macalé, um dos ícones da chamada MPB maldita. Ele conta que o bom e velho “Macal”, como é conhecido pelos amigos, é um verdadeiro professor.
E um sujeito generoso. Ao ficar sabendo que Leandro iria lançar um CD, Macalé disse que o trompetista poderia escolher qualquer uma de suas músicas para regravar.
“Escolhi ‘Dona de Castelo’, dele e do (poeta, já falecido) Wally Salomão. Uma balada linda, que fecha o disco numa alusão ao Miles Davis e ao Tom Jobim”, afirma.
Eclético, Leandro diz ter várias influências musicais. Entre elas, o trompetista norte-americano Miles Davis. MPB, rock, reggae, ska, dub, funk, jazz “e tudo o que o apraz”.
“O disco tem um pouco de tudo isso, e tudo na veia, correndo junto e misturado ao meu sangue”, conclui.
Serviço
Leandro Joaquim
Hoje, às 20h30, no Auditório do Sesc
Rua Tibiriçá, 50
Ingressos a R$ 17,
R$ 8,50 e R$ 5.
Inf.: (16) 3977-4477



