
(Foto: Raw Image / Folhapress)
Uma média de 4,7 mil raios cai em Ribeirão Preto todos os anos, o equivalente a 12 ou 13 raios por dia ou 7 por quilômetro quadrado. Os dados são do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Na vizinha Serrana, a incidência de raios é ainda maior do que em Ribeirão Preto (veja quadro na E3).
Lá, caem dez raios por quilômetro quadrado.
Em outubro de 2013, uma dessas megadescargas elétricas fulminou o adolescente Igor Correa Lima, 15 anos, no campo de futebol do Serrana Esporte Clube, centro da cidade quando brincava com os amigos. Uma forte chuva começou a cair e um raio o atingiu.
Funcionários da Santa Casa da cidade – que fica em frente ao campo de futebol, tentaram socorrê-lo, mas já estava sem vida. O jovem jogava como lateral esquerdo da categoria de base do Botafogo de Ribeirão Preto e integrou o time do Campeonato Paulista Sub-15.
Na média
O engenheiro civil especialista em raios Normando Virgilio Borges Alves explica que apesar de parecer alto, o número de raios não deve provocar pânico na população.
“Ribeirão Preto está na média brasileira. Quando esse número é muito elevado, como em Belém do Pará, por exemplo, ultrapassa os 14 raios por km²/ano”, explica.
Alves é um dos relatores da Norma Brasileira 5419 que fixa as exigências das instalações e manutenção de sistemas de proteção contra descargas atmosféricas.
Segundo ele, as normas estabelecem pontos de segurança prediais para a incidência de raios. “A cada cinco anos a norma é atualizada a fim de oferecer à população maior segurança em relação aos prédios e edificações”, disse.
De acordo com o coordenador do Elat, Osmar Pinto Júnior, são utilizados dispositivos especiais para medir a corrente elétrica dispensada pelo raio. “Não há parâmetros prontos para a medição. Tipicamente são 20 mil amperes, um terço de segundo, e um terço da velocidade da luz, ou seja, cerca de mil vezes mais que a intensidade de um chuveiro elétrico”, explica.
A incidência de raios está relacionada ao aumento da temperatura – fenômeno conhecido como ilha de calor, e de poluição nos grandes centros urbanos. O raio é formado por mais de uma descarga elétrica de grande intensidade que conecta-se ao solo e às nuvens de tempestade na atmosfera.
O período mais crítico vai de dezembro a fevereiro quando as temperaturas costumam estar mais altas. “Isto acontece porque o calor provoca o aquecimento da superfície, incluindo a água, que evapora e sobe junto com a massa de ar quente, formando nuvens. Essas nuvens por sua vez, quando muito carregadas transformam-se em chuva”, disse Osmar.
Assim que se formam nuvens carregadas no céu e começa a chover, a vendedora Rosemary Schiavinato, de 43 anos, procura abrigo em lugar seguro. Quando está em casa, não liga chuveiro, não usa aparelhos eletrônicos e nem anda descalço. “Logo que o tempo escurece procuro me esconder em local seguro, não seguro metais, não ando descalça e protejo meus filhos dentro de casa”, diz Rosemary.
O segurança, Luis Eduardo da Silva Alves, de 39 anos, morador do Parque dos Lagos, não fica em lugar aberto quando está chovendo. “Tenho muito medo dos raios. Quando começa a chover, procuro me esconder em local coberto e peço para que meus filhos também se protejam”.
Já Carlos Alberto Macedo acredita que não é necessária tanta preocupação. “Preocupo-me com meus filhos, mas não tenho tanto medo. Basta ficar em local protegido para não correr o risco de ser atingido por um raio”, afirmou.
O Inpe ainda alerta que ao observar nuvens escuras e típicas de tempestade no céu, o recomendado é encontrar abrigo, pois um raio pode cair a qualquer momento.
Gelo e calor
Formados nas nuvens, 20% caem no solo
O raio é provocado pelo choque do gelo formado em nuvens entre seis e sete quilômetros de altitude, com altas temperaturas.
O Elat informa que do total de raios produzidos, 80% ficam nas nuvens e 20% chegam à terra. E chegam provocando estragos. Cada raio carrega força entre 20 mil e 30 mil amperes, voltagem suficiente para acender 20 mil ou 30 mil lâmpadas de 100 watts. Os raios que caem, chamados de descendentes, são maioria.
Os raios que nascem do chão – ascendentes – não passam de um por cento. Eles são formados em torres ou na estrutura de prédios.




