Fonte: Phouse – Revista de Música Eletrônica

“Rave”,
Qual a primeira coisa que passa pela sua cabeça ao ouvir essa palavra? Batida eletrônica, gente alucinada e muitas drogas? Se sua resposta for sim, você não está sozinho nessa.
Pois segundo uma recente pesquisa, atualmente essa é a visão que 82% da população brasileira tem. Visão essa que é baseada em todos as informações que vem circulado na mídia nos últimos tempos.
Informações do tipo:
“Jovem morre com suspeita de overdose em Ribeirão Preto”
“Jovem é assassinado em festa rave, em Joinville”
“No interior de São Paulo, rapaz é espancado até a morte em festa rave”
“Jovem morre, e 18 são internados após festa rave em Itaboraí, Rio de Janeiro”
Todas essas notícias, infelizmente, são verdadeiras. E por isso as festas raves já sofrem toda essa discriminação e divide opiniões. Tanto que existe até hoje um projeto de lei sendo discutido para a proibição dessas festas, e alguns locais já até proíbem como Vila Velha no Espirito Santo e Londrina no Paraná.
Mas vamos fazer uma análise sobre todos esses fatos e tentar entender realmente um pouco sobre esse estilo de festa.
Primeiramente vamos definir o que é uma Rave? Rave é uma festa realizada em áreas mais afastadas dos grandes centros urbanos, por exemplo, sítios e galpões alugados, onde música eletrônica toca incansavelmente durante horas, chagando a durar 18 horas ou mais. Na maioria das vezes, o local é dividido por salas ambientalizadas, cada uma tocando um estilo musical diferente. Geralmente, com estas características, elas costumam ser denominadas de indoor, que comportam o significado das raves que acontecem em lugares fechados. Algumas festas são munidas de parques de diversão e apresentações de artistas performáticos.
Essas festas existem no Brasil desde o começo dos anos 90 e proliferaram de forma silenciosa no País ao longo das duas últimas décadas. Hoje, calcula-se que existam pelo menos 1,4 mil festas por ano, levando ao menos 800 mil jovens para esse tipo de balada por mês. As raves foram trazidas por DJs estrangeiros e até hoje recebem grandes nomes, mesmo com toda uma visão negativa em volta.
Antigamente, por causa dos locais que são escolhidas para acontecer, a mídia não costumava cobrir esse tipo de evento, mas grande a popularização durante os anos começou a despertar o interesse dos meios de comunicação, e consequentemente, da polícia. Com isso, as raves começaram a ser perseguidas e são até hoje, como comprovado nos dados dessa matéria. Tanto que os programas de TV apresentavam – até apresentam – as festas como locais de tráfico de drogas, em grande parte as drogas sintéticas. E é esse tipo de repressão que condiz com outros dados recentes, que confirmam que os números de festas desse estilo pode cair cerca de 35% nos dois próximos anos, se já não caiu.
Continuando nossa análise pare para pensar:
Bom, tudo bem que realmente possa haver consumo de drogas nessas festas, porém não é só nelas que isso ocorre né? Até porque se proibirem as raves ainda haverá o consumo dessas drogas. É mais que obvio que não vai afetar quem consome drogas, eles vão continuar a utilizá-las independentemente de onde e qual estilo seja a festa, certo?
E olha que essa história toda não tem meio termo, ou você vê pessoas contra ou pessoas a favor, quem frequenta defende as raves como uma festa onde se pode conhecer pessoas novas, e que se vai para se livrar dessa sociedade rígida e exaltada. Ok, legal.
E esses mesmo frequentadores relatam que realmente há o consumo de droga durante esses eventos, porém defendem que nem todos consomem. Que é o ponto em questão aqui.
Uma festa em que atualmente leis dizem que a faixa etária é para maiores de 18 anos, ninguém é obrigado a nada. Ou seja, todo esse mimimi é em partes importante, em partes exagerado. Porque não é por que seu irmão ou amigo vai a uma festa rave que você deve se descabelar achando que ele é um usuário de drogas. Não é?
Até porque um fato curioso que também foi divulgado é de que se não for utilizado o nome “rave” a festa é muito melhor aceita perante as pessoas. Tanto que atualmente algumas dessas festas se transformaram em grande evento de música eletrônica. O que não deixa de ser verdade.
Só para concluir, um preconceito que vem sendo mudado a cada dia mais pelos amantes da música eletrônica, mostrando e exigindo respeito pelas pessoas de bem que frequentam esses tipos de eventos, e o principal, combatendo as drogas, que estragam e criam polêmicas em cima desses eventos, que vem sendo os mais organizados da atualidade.
Só para fechar essa matéria, um dado e uma conclusão muito importante. As notícias de mortes citadas no começo da matéria, aconteceram alguns anos atrás. Para ser mais exato dois ou mais. E pode que ainda infelizmente ocorra essas tragédias, mas o que é altamente notável é que de uns anos para cá, as raves andam sendo repensadas, melhoradas e mais que isso, mudando.
O que tem que ficar claro aqui é que independente do estilo de festa, você tem que esperar sempre que existam parâmetros e regras que qualifique o evento, garantindo maior segurança aos frequentadores. E pode ser chato, mas que haja uma revista mais controlada na entrada, um número maior de seguranças, fiscalização rígida em relação a menores e presença de médicos e enfermeiros para evitar quaisquer transtornos. Desde brigas, acidentes até problemas de saúde.
Porque o ditado é fato: “QUEM FAZ A FESTA É VOCÊ!”
Nesse caso, quem faz a rave é você!
Pense nisso.
Foto: Ana Quesado (Reproduzida do Google).



