
E não se pode negar toda a repercussão do mercado de música eletrônica no mundo. A cena EDM é o maior destaque da atualidade, e infelizmente ou não, a nova modinha da galera.
Ok, há muitos séculos, que a música sempre foi uma das melhores formas de entretenimento e não seria diferente que junto com a evolução social, o mercado musical mudasse suas necessidades e isso se faz até hoje, depois de estarmos no ápice da evolução da música. Certo? Agora chega de mimimi!
“Electronic Dance Music” é o assunto em questão. Nossa boa e velha música eletrônica ganhou vários estilos dentro do principal estilo. House, Trap, Progressive, Dubstep, entre outros… Tudo aí para mostrar o quanto o mercado necessita de diversidade.
Independente do estilo em questão, o mercado da música pop já tinha seu interesse pelo mundo da música eletrônica, desde a época de Fatboy Slim, MObi e outros, viu tudo se intensificar nos últimos anos e eis que surgiu todo esse amor das rádios comerciais e das grandes gravadoras.
David Guetta afirmou em várias entrevistas que o álbum “One Love” é um divisor de águas na sua carreira e que se sente tão feliz de ser o DJ reconhecido que ele é hoje. Legal, parabéns Guetta! Não só um divisor de águas na carreira do francês como também foi um clarão de “ok, vamos mudar a cara do cenário pop?”
Formula do sucesso de Guetta? Batidas bem produzidas e vocais de grandes artistas do mercado fonográfico. “When love takes over, yeah! You know you can’t deny…” Você poderia dizer que tudo isso já acontecia e eu te diria que sim, mas a diferença dessa nova era pop-eletrônica é que ambos os estilos entraram de cabeça na fusão. O beat era um beat que se sairia bem sem vocal e o vocal se sairia bem, sei lá, sendo jogado em arranjos de R&B ou outra coisa assim.
Então foi isso: Rádios bombando, a galera abrindo a mente para a “nova” música eletrônica radiofônica e claro novas colaborações surgindo. Afinal, se a fonte é boa porque não beber da água? Álbuns como “Electroman” do Benny Benassi eram a prova das mudanças que estavam surgindo – e que vieram para ficar -, ou você se esqueceu de Chris Brown e seu vocal que dizia “Don’t you know, don’t you know… Beautiful, don’t you know.”
Daí as coisas começaram a fluir muito mais e o ápice chegou quando Guetta jogou pra rodo “Nothing But The Beat”, um álbum que tinha o pessoal mais pop daquela época. Usher, Nicki Minaj, Jessie J, Dev e outros. Impressão final? Músicas pop com batidas eletrônicas ou músicas de eletrônica com refrãos e letras bem feitas para serem hits. Tanto faz e a famosa frase “A ordem dos fatores não altera o resultado” bem aplicada nesse caso.
Ninguém saiu perdendo com isso. O mundo da música pop ganhou novos ares, a música eletrônica deixou de ser considerada apenas um “tumtitum, tumtitum, tumtitum…” – sendo que nunca foi apenas isso, mas tudo bem né? -. E mais que isso, trouxe um processo vasto de criação e inovação para os nossos DJS/produtores.
Hoje praticamente terminando 2014, já se acostumamos com esse casamento do mundo pop com o mundo da música eletrônica. Afinal, depois de cantar “We found love in a hopeless place…” junto com a Rihanna e muitos só interessarem e amarem o cara que cuidou da produção da faixa depois do estrondoso sucesso dela, não fica difícil não agradecer as rádios por isso, certo? Calvin Harris deve agradecer e muito ao reconhecimento, só olhar a casa de U$ 15 milhões que ele acabou de comprar lá fora. O sucesso de “18 Months” que tem entre as participações de Florence Welch, Ne-yo e Ellie Goulding é com certeza um dos principais culpados disso!
Em contra partida, já que é uma mão lava outra, chegamos ao ponto em que os popstars se descabelam para ter faixas produzidas pelos nossos tops DJS. Até porque se está bombando, eu quero ser #1 na Billboard! Ta aí a estrelinha Ariana Grande que não me deixa mentir, gritando “This is the part when I say I don’t want ya… I’m stronger than I’ve been before” e com Zedd como coadjuvante.
Até os mais novatos do ramo da EDM estão se jogando nesse mercado para ganhar mais popularidade e mais fãs. Ou ouvir “Mammoth” com vocais e nome de “Body Talk” é apenas um presente dos queridos Dimitri Vegas & Like Mike? Rá, espero que não!
Afinal essa relação bem radiofônica e lucrativa que vem sendo construída aos poucos, desde da época humilde e despretensiosa da house – do início dos anos 2000 -, e chegou ao que é hoje tão firme e vantajosa para ambas as partes, não merece ser engolida pelas necessidades do mercado, e sim evoluir mais e mais para agradar os gregos (a galera que sempre curtiu a música eletrônica com ou sem vocal) e os troianos (a galera que curte pop e ama a eletrônica dos vocais e refrãos viciantes). Se bem que, a nossa EDM ainda não mostrou tudo o que é capaz né? Os maiores festivais do momento ou produções de beats mais inovadoras a cada semana são apenas um “gostinho” do que esse cenário que conseguiu sobreviver muito tempo sem todo apelo do “mainstream” pode. Até porque “Hey brother, there’s an endless road to rediscover…”
da Phouse – Revista de Música Eletrônica



