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BEBEDOURO: Prefeitura destina viatura policial para o Conselho Tutelar

Irresponsabilidade ou incompetência administrativa? Ao visitar a sede do Conselho Tutelar de Bebedouro, a reportagem de “O Jornal” entendeu um pouco mais o motivo pelo qual é difícil o atendimento das conselheiras, nos casos em que são acionadas, assim como o porquê, em algumas ocorrências registradas pela Polícia Militar, o Conselho é acionado, mas não pode atender. O motivo: a precariedade (quanto tem) do veículo de transporte que o município destinou ao órgão.
A presidente do Conselho Tutelar de Bebedouro, Jaqueline Cristina de Souza Marques, informa que o órgão atende crianças e adolescentes em situação de risco e também dá assistência às famílias no encaminhamento para entidades ou prestando serviços nos casos emergenciais. Ela afirma que o Conselho necessita de um veículo oficial para o transporte das conselheiras aos locais de atendimento e, em muitos casos, para levar um atendido até uma delegacia ou hospital.
“Estamos encontrando muita dificuldade em nossos atendimentos. Antes tínhamos que ligar e o veículo demorava muito. O atendimento era prejudicado porque o veículo não chegava e quando vinha era em situação muito precária”, desabafa a presidente do Conselho. Ela ainda faz um agradecimento à Guarda Civil Municipal, que muitas vezes presta auxílio e acompanha os atendimentos. “O ideal seria que o Conselho Tutelar tivesse um veículo próprio, disponível em qualquer horário”, completa.

Quebra-galho
Há mais de uma semana, as conselheiras estão utilizando um veículo modelo Gol, na cor vermelha, que antigamente era utilizado como viatura policial do Corpo de Bombeiros. O carro está substituindo uma perua modelo Kombi, que está estacionada na Garagem Municipal da Prefeitura, devido ao motor fundido. Ao verificar o veículo, a reportagem logo encontrou dificuldade para abrir a porta do passageiro, pois ela abre somente pelo lado de dentro.
Ainda do lado de fora é possível notar ferrugem na tampa do porta-malas. Na parte interna do veículo, as dificuldades são tanto para o motorista quanto para o passageiro do banco da frente. Quem dirige o carro encontra um volante com jogo e um câmbio somente com um ferro, sem o pino que facilita a troca de marchas, fatos que podem comprometer a dirigibilidade e provocar um acidente de trânsito.
Situação tão crítica quanto a do motorista é encontrada pelo passageiro. O principal problema para quem é transportado desse lado, está do banco do veículo, que não tem travas no assoalho e fica totalmente solto. “Recentemente eu precisei sair e quando o motorista fez uma curva eu quase fui jogada para trás. Não tem como se segurar”, informa a conselheira Joseane Lopes. O caso é tão crítico que, com o banco solto, fica impossível utilizar o cinto de segurança, exigência das leis de trânsito.
A presidente do Conselho, Jaqueline, enfatiza: “para nós e para os motoristas, o risco de acidente é muito grande”. Além dos funcionários, a população também corre o mesmo risco quando precisam utilizar o veículo do Conselho durante um atendimento. “Imagine como nós vamos carregar os atendidos, se nós estamos colocando nossa vida em risco. O Conselho Tutelar está aqui para defender a criança e o adolescente, mas como nós ficamos numa situação dessas?”, questiona Joseane.
As conselheiras enfrentam outro problema ao se depararem com esta situação: a indignação da população. “A responsabilidade em destinar um veículo ao Conselho é da Prefeitura. Mas quando não podemos ir ao local, a população diz ‘o Conselho não compareceu’ e não que a Prefeitura não destinou um veículo adequado para trabalharmos”, aponta Joseane. Ela complementa: “a situação está bem crítica mesmo. Acho que deveria se pensar um pouco mais no Conselho, porque eu vejo muita diferença aí (tratamento) e a gente é cobrada. Daqui a pouco vai chegar ao ponto ter termos que usar veículos particulares para fazer atendimento”, finaliza.

Fonte:  O Jornal de Bebedouro

Em péssimo estado de conservação, um veículo modelo Gol que pertenceu ao Corpo de Bombeiros foi reaproveitado para o transporte das conselheiras e atendimentos aos casos emergenciais

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