Durante a Copa do Mundo, a seção “Grandes Jogos” vai relembrar partidas de nossa seleção contra os adversários do Mundial na África do Sul, da primeira fase até uma eventual final. Na primeira fase vamos encarar Coreia do Norte, Costa do Marfim e Portugal e como nunca enfrentamos os asiáticos e os africanos, sobrou para Portugal, rival histórico, a lembrança do jogo de hoje.
Lembranças ruins, por sinal, já que vamos falar da fatídica partida entre Brasil e Portugal na Copa de 1966, aquela em que o Brasil foi eliminado da competição ainda na primeira fase. Cheio de problemas de organização e com Pelé jogando no sacrifício, a seleção canarinho foi presa fácil para o excelente time de Eusébio e cia., que ao final, chegaria ao 3° lugar da polêmica Copa da Inglaterra.

A preparação brasileira para o Mundial foi marcada pela desorganização, em meio ao otimismo do país em relação à conquista do tri.
Vicente Feola, técnico de 1958, voltava ao comando da Seleção, mesmo considerado ultrapassado pela imprensa. Ele convocou 44 jogadores para a fase inicial de treinamento e fechou o grupo, depois, com oito veteranos de Copas e 13 debutantes.
Confira os jogadores:
Gilmar, Manga, Fidélis, Djalma Santos, Belini, Brito, Orlando, Altair, Rildo, Paulo Henrique, Denilson, Zito, Lima, Gérson, Jairzinho, Garrincha, Alcindo, Tostão, Pelé, Silva, Edu e Paraná.
Nos três jogos do Mundial de 66, Vicente Feola usou 20 jogadores. Somente o meia Zito e o jovem ponta-esquerda Edu não entraram em campo.
O goleiro Gilmar, um dos convocados, comentou a desorganização da época: “A vaidade superou a razão. Todos queriam chegar ao Brasil com a taça do tri. O time não tinha uma base. Fizemos 23 partidas sem repetir a equipe uma só vez.”
O Brasil, bicampeão do mundo, seria eliminado na primeira fase da competição. Estreou com vitória, 2 a 0 contra a Bulgária, dois gols de falta, mas perdeu em seguida por 3 a 1 tanto para a Hungria quanto para Portugal.O despreparo da seleção brasileira foi o grande responsável pela eliminação precoce. A inédita eliminação da equipe campeã logo na primeira fase foi inevitável. Este ‘feito’ só foi repetido em 2002 pelos franceses.
Portugal
A seleção de Portugal, do craque Eusébio, tinha como base o Benfica, time de maior torcida do país e que havia levantado a então Copa dos Clubes Campeões da Europa, o equivalente à atual Liga dos Campeões, em 1961 e 1962 pondo fim à hegemonia europeia do Real Madrid. Os Portugueses jogavam um futebol considerado na época moderno, com bastante rapidez e objetividade.
Em 19 de julho de 1966, uma seleção brasileira formada por astros já consagrados, como Pelé, e atletas que brilhariam quatro anos mais tarde, caso de Jairzinho, entrou no gramado do Goodison Park, em Liverpool, com a missão de bater a melhor seleção portuguesa da história, liderada por Eusébio, para não ficar pelo caminho, ainda na primeira fase do Mundial.
Já na época um peso pesado do futebol, após o bicampeonato em 1958 e 1962, o Brasil sucumbiu a Eusébio e não pôde contar com a ajuda de Pelé, caçado em campo pelos marcadores portugueses. Resultado, vitória portuguesa por 3 x 1.
“O Brasil realmente não jogou muito bem aquele jogo”, lembra o jornalista brasileiro Orlando Duarte, que cobriu o Mundial de 1966 na Inglaterra e é autor de livros sobre a história das Copas. “E Portugal também tinha um bom time.”
Portugal abriu caminho para a segunda pior campanha do Brasil na história das Copas com uma falha do goleiro brasileiro Manga. Após cruzamento de Eusébio, Manga não segurou a bola e, de quebra, colocou-a na cabeça de Simões, que abriu o placar aos 15 minutos.
Na vitória contra o Brasil, os portugueses caçaram Pelé em campo. O Rei do Futebol realmente sofreu naquela partida. Tornou-se ícone da história das Copas a imagem em que, após sofrer duas faltas violentas no mesmo lance, Pelé deixa o gramado carregado. A partir daí, permaneceria mancando em campo, fazendo número, já que naquele tempo não eram permitidas substituições.
Eusébio fez o segundo de Portugal aos 27 minutos do primeiro tempo, de cabeça, na pequena área, cara-a-cara com Manga. Rildo chegou a descontar para o Brasil, aos 25 do segundo tempo, mas Eusébio, o “Pantera Negra”, decretou a volta do Brasil para casa com um belo chute, aos 40 da etapa final.
Ficha Técnica
19/julho/1966
Brasil 1 x 3 Portugal
Local: Goodison Park (Liverpool)
Árbitro: McCabe (Inglaterra)
Gols: Eusébio, Simões no 1º tempo; Eusébio, Rildo no 2º.
BRASIL: Manga; Fidélis, Brito, Orlando, Rildo; Denílson, Lima; Jairzinho, Silva, Pelé, Paraná.
PORTUGAL: José Pereira; Morais, Batista, Vicente, Hilário; Jaime Graça, Coluna; José Augusto, Eusébio, Torres, Simões.
Confira os gols em preto e branco e depois em cores
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